Eu não sou assim, mas para ti sou assado e cozido,
falo sempre num tom grelhado, queimado e todo frito,
parece tudo tão esquisito quando está tudo bem
não posso ser divertido - o sorriso é um mito, ok?
frios mundos mudos, fazem tudo - ninguém vê nada
é tudo muito fácil, a vontade é viciada,
ponto e contraponto bordo a camisola que dou por ti,
contei segredos aos botões mas nunca os ouvi.
sou isto e aquilo ao quilo a triplicar,
um dia vais encontrar pior e lembrar
tu és isto e aquilo ao quilo a quadriplicar
um dia vou encontrar pior e chorar.
cospe nas palavras e dá-lhes pontapés como se pudesses inverter a rotação do relógio,
eu grito e inverto a rotação da terra, repara como eu me divirto e me derreto pouco lógico
como quem não quer perceber,
fazer-se entender e não espera...
nunca deve ser amor, eu nunca oiço, sou culpado e faço tanto que o nada faz eco.
nunca deve ser amor, mas eu tenho a certeza porque sinto,
quem é que manipula quem, no fundo não sou eu que omito
o que eu e tu queremos dizer.
eu sou isto, aquilo e acolotro
amo isto, aquilo, tudo e toda a gente
mas mais uma vez se gritar o mundo é pouco
sou um mundo mudo e o meu espírito é rouco,
sempre pedi de troco: um abraço ou afecto que transmita a mesma sensação,
eu não amo as vezes, no conveniente das horas, na tara de fantasia nem no interesse existencial,
eu não amo as vezes, sou isto e aquilo, deixo muito a metade e outro tanto para começar,
entretanto e entre-pouco podes acreditar, que eu pelo menos ou pelo mais,
amo no total.
faz as contas, devo-te muito mas não queres que te deva nada
acho que é verdade, outros dias é verdade manipulada.
engano o meu coração sobre o meu destino devido ao escravo estado do estado e do futuro,
mas comigo é fácil, podes por de volta na árvore se não tiveres em aceitação para o fruto,
não cesso - luto, cogito, medito, cismo e penso muito,
sou isto e aquilo ao quilo a triplicar, de que te vale a razão se não entendes o meu intuito.
não sou claro, sou distorcido, carregado estática e cinética oculta,
grelhado e cozido, já estou no prato e tu na tua.
Eu ando devagar não te preocupes ninguém me multa,
tu não começas-te a andar, sorri, regala-te da lua.
tu és mais do que eu, mas eu sou o menos,
matemáticamente acabamos os dois pequenos,
(...)
sou isto e aquilo ao quilo a triplicar,
por favor não me encontrem porque se não fizer sorrir
não quero fazer chorar.
ONE LOVE - "um é egoísta.";
TWO LOVE
Terça-feira, 4 de Outubro de 2011
isto e aquilo ao quilo a triplicar.
: Flávio Moreno Esteves :: Terça-feira, Outubro 04, 2011
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